“O neurótico ama seu sintoma como a si mesmo porque este lhe é caro” (Quinet)
- Reginaldo Hernandes

- 25 de ago. de 2024
- 2 min de leitura

Quando pensamos na palavra SINTOMA, referida ao campo da saúde mental, nos vem à cabeça crises de pânico, falta de ar, tontura, ideacão suicida e tantos outros. O fato é que nem todo sintoma é tão óbvio, e convivemos com muitos deles em plena harmonia diariamente. Aquela dificuldade em dizer não, a autossabotagem, os relacionamentos desastrosos repetidos - tudo isso é sintomático e, em geral, lidamos razoavelmente bem com essas questões. Esses “sintominhas” nos trazem alguns problemas mas, ironicamente, também trazem alguma satisfação ou sustentação à nossa vida.
Somos da melhor forma que deu pra ser (dadas as condições possíveis).
E nisso se incluem os nossos problemas.
Temos meio que um acordo com os próprios sintomas: Eles seguram a nossa barra por um lado, e em troca nos causam alguns pequenos prejuizos.
Parece justo.
E assim vamos tocando a vida.
Ironicamente, aquilo que trás grande desprazer, se investigado mais de perto, sempre mostra também alguma satisfação. Não uma satisfação prazerosa, mas sim de um tipo que leva o indivíduo cada vez para o pior.
Pergunte a um alcoolista se ele quer parar de beber. Certamente ele dirá que precisa, mas que não quer.
Faz mal mas eu gosto. Quero. Preciso.
Deu pra entender?
“Eu nasci assim eu cresci assim. E sou mesmo assim. Vou ser sempre assim…”
É mais ou menos sobre isso que estamos falando.
O problema se inicia quando o acordo é quebrado e os nossos sintomas começam a causar muito mais danos do que “benefícios”.
É neste momento que nos vemos doentes
O sintoma, antes capcioso companheiro, se mostra um inimigo, algo a ser combatido. E é nesta hora que o indivíduo cogita procurar ajuda. Passamos a vê-lo como um corpo estranho, e como tal, pedimos ao profissional que extirpe esse parasita da nossa alma.
“Eu não era assim”
O sintoma sempre tem um significado velado. Ele nunca o é por acaso.
Psiquicamente nada nunca é.
Com o trabalho da análise e o circular da palavra, desatamos os nós sob os quais esses sintomas se sustentavam e, desta forma, eles perdem a razão de existir.
Desta vez somos nós que rasgamos o contrato.


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