Não maltrate seu filho dando a ele tudo o que lhe pede
- Reginaldo Hernandes

- 25 de ago. de 2024
- 2 min de leitura

Antigamente as crianças eram tidas como posse dos adultos e sujeitas às suas vontades. Não havia toda essa mágica e ludicidade em torno da infância. Os pequenos eram tratados como adultos em miniaturas, meramente.
À partir do século XX as coisas começam mudar, e as crianças começaram a ser vistas como sujeitos de fato, com direito a voz e opção de escolha.
Hoje em dia, em extrema oposição ao passado, a infância é tida como o momento de ter TODOS os desejos realizados.
Certamente você já ouviu o seguinte discurso:
“QUERO DAR PARA MEU FILHO TUDO O QUE NÃO TIVE”
As crianças são tidas hoje como “pequenos príncipes” – verdadeiras altezas que querem tudo de seu jeito e na sua hora, não conhecendo limites e o sentido da palavra “não”.
Os súditos (no caso, os pais) temem esses príncipes e princesas, já que negar algo ou impor limitações é visto como algo perigoso.
Fazem tudo para agradá-los, uma vez que frustrar os filhos nos dias de hoje pode ser concebido como um “não amar”.
Ironicamente sabemos que é totalmente o oposto: pais que amam seus filhos negam frequentemente seus pedidos.
A frustração faz parte das nossas vidas, e é de novinhos que aprendemos a lidar com isso. Crianças sem limites tendem a ser descontroladas emocionalmente, agressivos, indisciplinados e (obviamente) despeitam autoridades.
Adultos que tiveram tudo na mão quando crianças tendem a dificuldades em lidar com seus problemas de forma madura e equilibrada. Podem ser também pessoas individualistas e egocêntricas – pessoas que tem dificuldades em se colocar no lugar do outro. Dentre outras coisas.
Passamos de um modelo de pais que eram verdadeiros carrascos, que lidavam com os filhos com mãos de ferros, para pais totalmente permissivos, o que também não é nada bom. Hoje em dia as relações são mais autenticas e democráticas, ao invés de baseadas no medo, como no passado, porém alguns pais extravasam.
Como já dizia Winnicott, as crianças precisam de pais suficientemente bons: Nem negligentes, nem permissivos ao extremo.
Ou como diz o ditado popular: "Tudo demais é sobra!”
Os pais podem ser amigos dos filhos, mas, sobretudo, eles tem que ser PAIS!
Quem ama cuida. E frustra.


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